NOITES DE INSÔNIA

Terça-feira, Agosto 05, 2008


Viagem ao centro

Ao atingir o vidro, a gota d'água criou um rastro comprido e fino. Apenas neste momento, dentro do ônibus, ele percebeu que ia começar a chover. Ia tão distraído que não havia percebido os outros sinais. Observava o interior do ônibus, as barras de ferro amarelas, as espumas envolvidas por tecidos grossos, o teto de plástico branco e, por fim, o vidro transparente que o fez perceber o que se passava do lado de fora, a idéia da chuva. Dentro, tudo era de uma substância material que impunha com tamanha força sua presença, que era incapaz de pensar em algo que não estivesse ali fisicamente.

O aparelho da academia é feito também de ferro, espuma e plástico. Estava sentado sobre ele, diante de um espelho, olhando nos olhos do seu reflexo, mas a estranheza dessa recursividade nem lhe passou pela cabeça. Seu pensamento se resumia a controlar seu corpo, para realizar os movimentos cadenciados, em harmonia com a respiração. Era justamente para se tornar um ser mais físico que se encontrava ali. Enquanto repousava sobre a matéria fria, perscrutava as demais pessoas entre as paredes de concreto duro. Elas eram corpos em movimento, constituídos de músculos, ossos e vísceras cobertos por pele.

No refeitório ele repunha a matéria consumida na atividade física. O ato de movimentar os utensílios e carregar a comida da bandeja à boca não requeria nenhum esforço mental. Seu pensamento voava enquanto comia sozinho num ambiente tão familiar que nada lhe chamava a atenção. Os objetos dali eram formas abstratas que em sua totalidade constituíam o restaurante. Seu corpo servia para captar sensações do ambiente que na sua mente resgatava lembranças e produzia pensamentos. Era apenas um meio para o seu ser.

Observando o firmamento, indagou se é possível contar as nuvens. Talvez não seja, mas também é improvável que sejam ilusões aqueles imensos corpos de água condensada que formam uma imagem branca e difusa. Assim como ele próprio, um ser pensante contituído de um aglomerado de moléculas orgânicas estruturadas. Continua olhando para o céu, com a intuição de que é eternamente incapaz de saber algo além.

Publicado por Milton à 18:59 | Não clique aqui ()


Domingo, Julho 06, 2008


Com mérito

Vale a pena fazer algo pelo dever? Realizei na minha vida mais coisas por outras pessoas do que por mim mesmo. Nem sei para quem estou fazendo, ou então se há alguém que será realmente afetado pelo meu esforço. Como uma máquina que funciona porque foi feita para funcionar, sou uma engrenagem girando sem motivo.

E mesmo as coisas que escolhi fazer não são do jeito que pensei que seriam. Chega um momento em que desejo abandonar tudo, mesmo não tendo nada que a substitua. Apenas quero esquecer o que eu fui. Mas enquanto não há meios de terminar, mesmo que me destrua por dentro, há o dever de seguir em frente.

Se a vida tivesse me dado mais recursos não existiriam tantas dúvidas. Toda essa indecisão é fruto de ter tido de fazer escolhas prematuramente. Hoje sou um homem comoportunidades que não me interessam e é tarde demais para voltar no tempo e corrigir minha decisão. Só há um caminho, evolutivo, progressivo e não há chance de fazer o retorno para ver se perdi uma entrada.

Essa miséria nos torna pessoas miseráveis. Seres medíocres que só fazem aquilo que se espera que façam. Que cantam em coro com a multidão. Que se vendem por dinheiro e se anulam com seu trabalho. Onde estão os grandes feitos? Qual é a glória de ser um estudante, um familiar, ou um trabalhador, exemplar? Não há nenhuma, é apenas uma prisão.

Preciso da força para dizer não ao dever. Para me libertar destas grades que me mantém num cubículo podre e fétido. Eu não sou uma pessoa ambiciosa, mas também não sou alguém que espera chegar ao fim da vida para perceber que a desperdiçou com mesquinharias. Quero fazer algo por mim e mesmo que me vaiem, eu me aplaudirei.

Publicado por Milton à 23:20 | Não clique aqui ()


Segunda-feira, Junho 30, 2008


Um brinde ao jubileu de madeira, são cinco anos pra comemorar

Mais um ano de blog se passou. No dia 21 de junho se completaram cinco anos desde a primeira vez que eu parei o que tinha para fazer, nem que algumas vezes fosse simplesmente olhar para o teto ou dormir, para escrever alguma coisa aqui. Embora cinco anos seja considerado um acontecimento mais importante que três ou quatro, eu não preparei nada de especial este ano. Aliás, se não publicasse hoje, ficaria pela segunda vez, desde que o blog fora criado, sem publicar por um mês.

Se existe alguém ainda que me ouve, peço perdão pela pouca verborragia. Sei que, às vezes, ao abrir este blog, há um sentimento de algo que nunca cresce, que não tem sentido, que vai de nenhum lugar a lugar nenhum e com razão. Eu mesmo sinto isso ao ver o mesmo fundo cinza 80% com as palavras repetidas. Mas acho que o objetivo nunca foi a novidade e sim a mesmice, para mostrar uma, duas, dez, cem, mil vezes quem eu sou, no branco no preto.

Agradeço, como sempre, aos leitores deste blog. Não vou dizer que sem vocês ele não existiria para evitar o lugar comum, mas que com vocês ele se torna uma experiência compartilhada, afinal se fosse escrever para mim mesmo era só abrir um caderno e rabiscar umas palavras. E acima de tudo, agradecer a Baby Jesus por todas as benfeitorias que tive graças este ano. Por fim deixo um trecho da minha última publicação externa a este blog.

Uma rede de sensores sem-fio é caracterizada por ter uma baixa taxa e uma alta latência na transmissão de dados. Os nós geralmente possuem uma baixa capacidade de processamento e armazenamento. Todos esses fatores, além dos supracitados, precisam ser levados em consideração para o desenvolvimento de protocolos dessas redes. Por outro lado, a cooperação entre os nós, o broadcast natural das comunicações sem-fio, são pontos-fortes que podem ser explorados. Para tanto, novas técnicas de modelagem da pilha de protocolos têm sido desenvolvidas, baseadas na proposta cross-layer. Segundo ela, algumas violações do modelo de referência em camadas são utilizadas com o intuito de aumentar a eficiência dos algoritmos, reduzir o tamanho do código e diminuir a sobrecarga de dados de controle. Criação de novas interfaces entre camadas, junção de camadas adjacentes, compartilhamentos de dados entre camadas são exemplos das violações utilizadas em protocolos cross-layer.

Publicado por Milton à 00:01 | Não clique aqui ()


Quarta-feira, Maio 28, 2008


Um pedaço de merda

Um desvio de septo nasal, um globo ocular alongado, um disco intervertebral achatado, uma inaptidão social, um pé chato, uma hérnia de hiato, uma cabeça pequena para um pescoço alongado, um corpo desengonçado, um siso torto, um dedo torto, um rosto feio, uma obsessão pelo passado, uma mancha saltada, uma cicatriz roxa, um pêlo em local inapropriado, um nunca aconteceu antes comigo, uma cabeça baixa, um egocentrismo, uma mão fechada, uma córnea de formato irregular, um medo de falhar, uma timidez disfarçada, um prepúcio, uma hérnia encarcerada, um porte físico fraco, um medo de perder, uma voz nasalada, uma pele cicatrizada de acne, uma amígdala avantajada, uma incerteza, uma angústia, uma tristeza.

Baby Jesus ainda me paga
Um dia ainda me explica
Como é que pôs no mundo
Essa pobre titica.

Publicado por Milton à 22:26 | Não clique aqui ()


Terça-feira, Maio 13, 2008


O elixir da vida e da lucidez

- Eu não estou louco, mas isto é um paradoxo?

- O que você quer dizer?

- Um homem que está louco, não admite estar. Logo, se eu disser que estou louco, não estarei. Todavia, se disser que não estou louco, assim, posso estar.

- Quer dizer que você está em dúvida se está louco?

- Não. Eu certamente não estou louco. Apenas dizendo isto, posso estar.

- Por que você diz estar louco e não ser louco?

- Porque a loucura só pode ser um estado, ou os loucos o são na essência? Se há uma transição da lucidez à loucura, com certeza haverá uma no sentido oposto. O efeito inverso do que tornou a pessoa louca poderá torná-la lúcida.

- Então você quer dizer que se algo torna uma pessoa que está viva, morta, o efeito oposto irá tornar uma pessoa morta, viva?

- Exatamente. Ora, você não vê pessoas nascerem o tempo todo. Em que estado você acha que elas estavam antes de estarem vivas? A morte é apenas um estado, assim como a vida.

- Você é mesmo um louco.

Publicado por Milton à 23:06 | Não clique aqui ()


Segunda-feira, Abril 14, 2008


Você já não quer mais amar / Sem rumo tá sem direção

Seu olhar se cruzou com o dela enquanto ele marcava o ritmo com a mão esquerda e com a direita batia na pele do instrumento apoiado sobre a perna que ainda tremia. Ela fingiu seu sentimento durante a tarde toda, mas apenas aquele olhar foi suficiente para entregá-la.

Com um movimento rápido da mão direita, fazia chocalhar a cada batida o instrumento que carregava com a mão esquerda, mas o olhar que cruzou desta vez não tinha significado algum, era quase totalmente vazio. Ele não conseguia apenas ignorar a diferença dos olhares e de todo o resto.

Fazendo as cordas vibrarem na freqüência desejada, pressionando-as com as pontas dos dedos relembrava uma música do passado. O passado que não existe mais. Através de fotos, ele cruzou com um olhar cheio de vida que não sabia se já havia se apagado.

Magoado, vazio, desconhecido. São esses os olhares que conhece no presente. Não há mais nenhum pretexto, nenhum sonho, nenhuma lembrança, as quais sempre fez questão de destruir. Será que realmente não significou nada? Os pretextos sempre o ajudaram a viver a liberdade da prisão. Como será viver condenado ao livre arbítrio?

Estende a roupa, faz o almoço, lava as louças, existe. Não procura mais nos olhos. Encontra no corpo todos os significados que precisa para sua nova vida. Não quer mais ser nojento, não quer mais ser bizarro. Quer um corpo perfeito, quer uma alma perfeita, mesmo sabendo que não pertence a esse mundo.

Publicado por Betty à 23:52 | Não clique aqui ()


Domingo, Março 16, 2008


Roteiro

- .... Você é igual a todos.

- Sou sim. Faço questão de ser. Se um dia houve uma diferenciação, se escrevia cartas, se dizia palavras bonitas, se aceitava esperar, não há mais. Hoje quero o que é fácil, o que é prático, o que dá prazer imediato. Faço academia, estou sempre bêbado, não mostro quem eu sou, mas quem eu preciso ser, proque assim as pessoas gostam mais fácil de mim. Cansei de ser abandonado porque não era igual a todo mundo.

- Viu! Eu sabia que você tinha mudado. Sabia que não valia a pena investir em você. Sabia que você ia se converter a essa hipocrisia, a qual todos aqui dizem amém. Eu esperava mais de você, ....

- Você é tão hipócrita quanto a todos aqui, darling. Se eu mudei foi por sua causa e agora você vem me falar sobre investimento. Eu gostava de você e não diga que não sabia, mas eu não era do tipo que chegava te agarrando. E você preferia ficar com qualquer outro, que te arrastasse para o quarto, do que se esforçar para entender o que eu sentia.

- Quanto você quis ficar comigo? Todas as vezes que estávamos juntos você ficava falando de outras garotas ou da sua namorada. O que você esperava de mim enquanto você estava namorando? E eu não fico com qualquer um, como você fica com qualquer uma agora. Ficava com quem eu tinha alguma esperança, embora quase sempre estivesse enganada, assim como eu me enganei sobre você.

- Eu falo sobre outras garotas com você porque para mim você é só minha amiga. Se um dia eu confundi esse sentimento foi por puro descuido, porque você nunca demonstrou nada diferente. Eu só não entendo, se a gente não é nada além de amigos, por que você continua a insistir a brigar comigo quando eu fico com outra.

Publicado por Milton à 18:15 | Não clique aqui ()


Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008


Apenas mais uma de amor

O caso de sucesso é simples: se unem por acaso, geralmente através de algo em comum; começam a se conhecer, conversar sobre coisas pessoais, além das frivolidades; se tornam mais íntimos, fazem coisas juntos, vão a lugares em comum; se beijam, conhecem uma nova faceta ao dar e receber carícias; saem como um casal, vão sozinhos a toda parte; um dia, como outro qualquer, descobrem que chegou a hora de se amarem; acordam sorrindo no dia seguinte.

Entretanto o caso de sucesso não é o único, nem sequer o mais praticado, como por exemplo: estão bêbados em uma festa; se beijam com a língua amortecida sem sentir o tato ou o paladar; entram em um buraco para se amarem, entretanto o excesso de álcool faz com que tudo seja forçado, inclusive o prazer; no dia seguinte não sabem como agir, mas prometem manter contato.

Ou então: se conhecem através de um amigo que está apaixonado pela outra pessoa; por não querer trair a amizade se afastam, embora comecem a se consumir de desejo; se encontram por acaso e contam seu segredo; se beijam, mas nenhum tem coragem suficiente para contar a verdade; começam a se encontrar escondidos e um dia, como outro qualquer, descobrem que chegou a hora de se amarem; se sentem culpados no dia seguinte.

E também: se conhecem há muito tempo e são bons amigos; um dia decidem que deveriam ficar juntos e se beijam; pouco tempo depois, porque já são íntimos, se amam; como parece ser a solução de todos os problemas continuam saciando sua libido; todos os dias seguintes sentem que não são apaixonados, mas desistem de qualquer atitude que tire seu conforto.

E por aí vai.

Publicado por Betty, que ignorou as regras de colocação pronominal, à 00:50 | Não clique aqui ()


Sábado, Fevereiro 23, 2008


Acidente textual

A abóbada celeste amanheceu com uma capa branca como em Dublin. Penso no clichê: "quando achamos que encontramos todas as respostas vem a vida e muda todas as perguntas...", mais um atribuído a Luis Fernando Veríssimo, mas que não se encontra em nenhum de seus textos. Não significa nada, serve apenas para blogs de pessoas que acham que sabem alguma coisa da vida, como este.

Sobre a mesa, a caneca, desta vez, contem água. E depois de tomá-la, há apenas a massa atmosférica que se confunde com a moleza da própria caneca e parecem fundir-se. Continuando no espaço, mesmo sem tocá-la, meu corpo a atinge e se tornam uma amálgama. Inclusive a água que uma vez pertenceu a caneca, está agora dentro desta trouxa de carne e o instante em que a água esteve no copo não existe mais.

Assim como o instante em que escrevi que a caneca continha água não mais existe, e o instante em que escrevi a oração anterior, a palavra anterior e também a letra anterior. É como se tivesse vindo sentar a frente de um texto começado, ele já não me pertence mais a partir do momento em que um ato inconsciente transformou meu pensamento na ação de escrever. Meu texto sempre está atrasado e portanto nunca se torna um ente existente nem mesmo no momento em que é lido, pois o ato inconsciente de interpretar o texto para torná-lo em seguida algo existente, deixa o texto em si, para trás. Como na execução de uma música em que cada acorde surge, para desaparecer logo em seguida e dele só fica a lembrança.

Lembrança que servirá para copiar uma idéia e reproduzi-la em outro instante, dando a ela minha autoria, como fiz no parágrafo acima, como fazem com os clichês. Não, a vida não tem respostas, portanto não deve haver perguntas. A única certeza é que morreremos sem termos encontrado um motivo para termos vivido. Como não há motivo algum para eu ter escrito isso, foi apenas uma contingência, um momento determinístico com sabor de aleatório.

Não há tristeza nas minhas palavras, não há sentimentos. Pessimismo, talvez, mas tudo depende do ponto de vista, pois também pode ser considerado liberdade. Mesmo o céu branco, não parece mais ser branco nem parece ser mais céu. É apenas mais uma extensão da massa e apenas assim posso enxergá-lo como é, pois embora meus olhos me apresentem uma abóbada branca, eu sei que existe e não é apenas uma ilusão.

Publicado por Milton à 15:00 | Não clique aqui ()


Terça-feira, Fevereiro 19, 2008


O absurdo não era uma idéia na minha cabeça

Sou tão real quanto Sofia e a Antoine Roquentin, ideal tal qual. Inocente como Rakólnikov, Luís da Silva e assim como K, culpável. Tenho tantas riquezas quanto Severino, Santiago e sou tão pobre quanto Aurélia Camargo. Minha beleza se assemelha a de Gregor Samsa e minha feiúra a de Bedredino Hassan, iguala. Sou simpático como Bento Santiago e assim como Puck, emburrado. Estou, como Alaíde, vivo e qual Sherlock Holmes, morto num abismo. Minha história, como a de Johann, é de glória e sou qual ao Cel. Aureliano, sem honra. Tão grande quanto a Gatsby, é minha indecisão e assim como a Brás Cubas, minha determinação. Ao médico, sou tão fiel quão e sou sem lealdade tal Watson. Fraco qual Ubirajara e assim como a de Miguilim, é minha força. Sou virgem como Júlia e tão experiente quanto Lorena. Minha paixão, tal qual a de Mariana, é pequena e como a de Virgínia, eterna. E meu mundo é tão vasto quanto o do pequeno príncipe.

Publicado por Betty à 23:56 | Não clique aqui ()


Domingo, Fevereiro 10, 2008


Recorte

Talvez esse meu estado deplorável e febril guie até certo ponto minhas palavras, mas não sejamos tão incrédulos. Sei que te devo uma visita, e você me deve um quantum de sua presença, pois bem, me diga para onde que eu irei. Espero estar melhor até sábado a tarde quando estarei livre de minhas obrigações acadêmicas e assim poderei viajar a seu encontro. Desculpe se sou muito incisivo, mas com a velhice nossa paciência vai se esgotando, no ponto que nossa vida também vai se encurtando e se a estou pressionando é de forma positiva, pois se não puder saberei compreender.

Quanto ao que conversamos, sempre imaginei como seria ter uma conversa definitiva com você, na qual falássemos tudo (que lembrássemos) que aconteceu, tudo que passamos, tudo que sentimos, mas como eu disse cheguei a conclusão de que de nada adiantaria isso hoje, porque muitas coisas teriam perdido a relevância, por causa do tempo e das mudanças de opinião.

Respire um momento agora. Gosto de você de uma maneira incrível, tanto que chego a acreditar que supero muitos obstáculos, mas sou realista, os obstáculos são grandes. De qualquer maneira, não quero para já dar um passo tão grande e um dos motivos é porque estou em uma fase um pouco complicada da minha vida, assim como você deve estar na sua. Quero ter alguns bons momentos junto de você, sem muitas expectativas, mas não quero mais esperar. Quero ter mais intimidade, quero poder abraçá-la não mais da forma fria como faço a anos. Desculpe se não consigo me expressar de maneira mais objetiva, é uma das barreiras que vou ter que superar aos poucos.

Não é uma resposta que procura. É uma palavra, um sinal que o conforte, uma demonstração que prove o teorema que criou, uma carta que diga o que quer ouvir. Não quer menos, nem mais... quer o exato, quer a conformidade de seus sentimentos refletidos na pessoa desejada - quer que diga que também o quer. Basta.

Publicado por Betty à 23:07 | Não clique aqui ()


Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008


Carnaval

Não é necessário dizer que uma certa dicotomia tem suas origens em Platão, pois podemos dizer de maneira generalizada que todas têm. E o mundo das idéias não apenas gerou a divisão em duas partes, como também a noção de superioridade de uma sobre a outra, como a da alma sobre o corpo, do homem sobre a natureza, da razão sobre os sentidos e também, do amor sobre o sexo.

No decorrer da história, a separação de amor e sexo se intensificou, tendo o amor idéia se sublimado a uma condição divina e o sexo, no extremo oposto, se transformado em pecado. A questão se tornou tão profunda na consciência humana que atravessou o iluminismo e apenas no século XX, houve uma tentativa de resgatá-lo pelo movimento hippie ao pregar o amor livre, que foi rebaixado a liberdade sexual.

A própria palavra amor ganhou um duplo sentido e perdeu sua totalidade, sendo um, o amor romântico e o outro, o amor eufemismo de sexo. Ambos existem como necessidades humanas. O último, por prazer, instintivo, para atender a demandas psicológicas, biológicas e sociais e o primeiro, para dar sentido à vida através de romances, aventuras, de "momentos perfeitos". Muitas expressões demonstram a confusão que tais conceitos geram, como sexo com amor ou amor de pica.

Não é objetivo explicar o que vem a ser o amor, apenas discutir de maneira sucinta os seus prejuízos. Não se pode encarar simplesmente que amor e sexo sejam uma só coisa e uni-los através de algum ecletismo. E também, existem outras questões como o compromisso, a monogamia, o relacionamento amoroso, que foram deixadas de lado.

Publicado por Milton à 20:39 | Não clique aqui ()


Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008


A teoria da curvatura da vara

Eu estava muito bêbado, e a gente começou a correr um atrás do outro, nem sei por que motivo. Fomos muito longe de onde todo mundo estava, e já era noite. Eu consegui pegá-la, lembrei que era eu que estava correndo atrás dela, a gente caiu, ou se jogou no chão, e fiquei abraçando-a. Naquele momento eu pensei - é agora. A garota está aqui nos meus braços, é só beijá-la -, mas daí a gente acordou, ou talvez ela tenha percebido minhas intenções, aquilo tudo se passou muito rápido, e se levantou.

Não foi a primeira vez que eu conhecia uma garota dessa maneira, estando embriagado. Mas depois quando as reencontrava não havia margens para essas brincadeiras. Sou um homem muito sóbrio quando não bebo. As garotas pensam que eu mudei em relação a elas e acabam se afastando, mas não é verdade. Eu estou apenas sendo eu mesmo. E a recíproca também é verdadeira. As pessoas que me conhecem no dia a dia, quando me vêem alcoolizado, acham que sou outra pessoa. Também estou sendo apenas eu mesmo, curvando a vara pro lado oposto.

É quase uma dupla personalidade e raras vezes a vara é endireitada. Lembro de outra menina que eu conheci numa festa. Nos falamos um pouco, aliás bem pouco, e nos beijamos. Consegui levá-la ao quarto, mas não passou disso. Alguns dias depois eu liguei para ela e combinamos de nos encontrar, só que eu nunca fui muito bom com encontros. Tive que passar no bar tomar uma dose antes de ir pra casa dela, mas não adiantou nada, porque quando eu cheguei, estava tão amedrontado quanto a um cachorro que sabe que fez besteira ao dono. Só que essa, diferente das outras, gostou dos dois e acabamos ficando algum tempo juntos.

Às vezes penso que sou um alcoólatra, que só se diverte quando bebe, mas é outra inverdade. Acho que depende da companhia, porque tem vezes que prefiro beber e ficar sozinho, curtindo minha euforia, do que fingir ser sociável. E também ainda não sou do tipo que bebe regularmente, ou pelo menos não a intervalos regulares, quanto o período que o Sol leva para dar uma volta na Terra.

Publicado por Milton à 00:41 | Não clique aqui ()


Quinta-feira, Janeiro 10, 2008


Esboço da fenomenologia da felicidade

Tenho vontade de escrever, muito, sobre muitas coisas, mas não posso perder este momento, ou melhor, esta emoção, que sei que em breve, muito em breve, irá abandonar-me. Preciso manifestar esta felicidade, sim, a palavra que irá nominar a emoção será felicidade, que sinto agora. Tentarei abandonar por alguns minutos a razão e transformar minhas palavras apenas em emoção, fazendo com que meu texto chegue a ser incoerente e irracional.

De fato, se me questionarem o que eu penso da felicidade, direi racionalmente que ela não é uma emoção e sim um sentimento, mas isto, este momento, não é apenas alegria, é felicidade. As manifestações fisiológicas podem ser as mesmas. Tanto sei que há uma manifestação que já a sinto indo embora. Mas a conduta tomada não é apenas a da alegria, não estou sorrindo, afinal não há ninguém, de que adiantaria sorrir? De que adiantaria me alegrar, estando só?

Talvez apenas seja possível experimentar esta emoção na solidão, quando a consciência desce de seu pedestal racional a um nível em que se torna aceitável o otimismo. E foi justamente olhando para um futuro que pode ser maravilhoso, causado por uma paixão, já quase esquecida, que o sentimento de felicidade se instalou.

Termino este texto já não feliz, pois a manifestação já se foi embora. Espero ter restado a conduta. A conduta otimista e até mesmo movida pela fé, pois não há razões para o otimismo. A vontade de aprender, o desejo de conhecer coisas novas, pessoas novas ou re-conhecê-las e tentar trilhar o caminho que a felicidade apontou.

Publicado por Betty à 12:55 | Não clique aqui ()


Domingo, Janeiro 06, 2008


Friends are forever. Girls are whenever

Por que escolhi este título, que pode ser traduzido como: "Amigos são para sempre. Garotas a toda hora"? Escrevi em inglês propositalmente, pois foi uma paródia de "Friends are forever. Boys are whenever" que forma uma rima e também pela ausência de gênero de friends que causa uma ambigüidade, afinal poderia ser traduzido também como "Amigas são para sempre. Garotas a toda hora", além de uma dificuldade de interpretação já contida no original no significado de forever pode ter um sentido semelhante a whenever. Escrevi a frase acima, portanto, porque queria explorar todas essas interpretações do período e discordar de todas.

Inicialmente tomemos que o sentido de forever seja eterno e não o mesmo de whenever. Pensando agora na amizade independente de gênero e até mesmo considerá-la, uma vez que estamos contrapondo às garotas, que seja a amizade entre homens. A segunda oração faria todo sentido, pois quando estão com uma garota, os homens costumam gastar todo o tempo livre com ela. Entretanto, será que amizade é eterna mesmo? Até um tempo atrás, julgava que a amizade não dependesse da convivência, mas que este reconhecimento faria com que, mesmo após um grande tempo de separação, a amizade continuasse. Porém, o que há nos acontecimentos do passado de tão especial para que eles tornem a amizade eterna? O passado sobrevive apenas nas nossas lembranças que vão perdendo o significado com o tempo, a cada novo acontecimento presente e um dia pode ser que os fatos que marcaram esta amizade sejam irrelevantes, ocorrendo o fim da amizade.

Mudando o sentido de friends, fixando-o como a amizade entre gêneros distintos, que, por usar girl na paródia, irei tratar como amizades femininas com uma pessoa do gênero masculino, a situação parece se agravar. Se a presença de uma garota, namorada, por exemplo, atrapalha na sua amizade masculina ela destrói as femininas. Sempre julguei que uma amizade entre homem e mulher não fosse apenas movida por identificação como acontece entre homens, mas também por interesses sexuais. Atire a primeira pedra que nunca beijou um amigo do sexo oposto. Outro fator decisivo para o afastamento é o ciúme, que é praticamente inevitável, não apenas da garota em relação a amiga, mas também da amiga em relação a garota.

Por fim, desconsiderando a eternidade do forever e dando a ele o mesmo sentido de whenever, ou seja, admitindo que quando está com uma garota o homem não abandona os amigos, sejam eles do gênero masculino ou feminino e consegue dividir atenções a todos, acho improvável, se não impraticável ou mesmo impossível. Não há sinergia entre esses dois mundos: amigos e garotas. Não dá pra ficar levando namorada para uma pelada com os amigos, assim como não dá para ir a namorada e os amigos a um motel.

Finalizando meu discurso que muitos podem julgar que seja um manifesto de ódio contra as namoradas dos meus amigos, digo que não é nada disso. Até gosto delas ou, pelo menos, não tenho nada contra. Não gosto apenas que neguem o girl power, isto é, o poder da xavasca que há sobre si. Também não sou um misógino que só faz amigas com finalidades sexuais, apenas considero essa uma hipótese palpável. O objetivo deste post, na verdade, é um grito de apelo que faço a meus amigos, alguns dos quais vi apenas uma vez no ano passado, de que não esperem que somente o passado seja o suficiente para manter uma amizade. Quero que meus antigos amigos sejam meus amigos atuais por muito tempo ainda.

Publicado por Betty à 22:56 | Não clique aqui ()


Epígrafe


Blogsfera


Dies Iræ

Diário de Blindness

Dorothy over the rainbow

Fragmentos

Poeira Eletrônica
Eis um tributo às toneladas de arquivos q são excluídos a todo milésimo de segundo nessa incomensurável rede. Para onde irão todos eles? ... Aqui não se deleta nada, ao contrário, faz-se back up.

divagações viciosas

.n.i.g.h.t.s.w.i.m.m.i.n.g.
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos

Substantivolátil
O primeiro rascunho de qualquer texto é uma m#$%@.

Tarrasque arqueiro

Vezes Quatro
Porque tudo é feito com empolgação...

It can't rain all the time

Parede da memória